Acre perde 104 profissionais com saída de Cuba do programa Mais Médicos no Brasil

15.11.2018 11:00 Por REDAÇÃO ONLINE

Profissionais atuam em Unidades de Saúde Básica em 20 municípios acreanos e dois distritos indígenas.  — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Profissionais atuam em Unidades de Saúde Básica em 20 municípios acreanos e dois distritos indígenas. — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

Com o anúncio da saída de Cuba do programa social Mais Médicos no Brasil, o Acre deve perder 104 profissionais que atuam em 20 municípios acreanos e dois distritos indígenas. O efetivo representa 63% dos médicos atuando pelo programa no estado, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

O Ministério da Saúde de Cuba divulgou, nesta quarta-feira (14), a decisão de não fazer mais parte do projeto porque que as mudanças anunciadas pelo novo governo brasileiro descumprem as garantias acordadas desde o início do projeto, há cinco anos.

Conforme a Saúde, dos 164 médicos que atuam pelo programa em unidades de saúde básica do estado acreano, 104 são cubanos. Em nota, o secretário de Saúde do Acre, Rui Arruda, afirmou que respeita a decisão do governo cubano.

“A Secretaria Estadual de Saúde enfatiza sua preocupação com os efeitos negativos na atenção básica, principalmente nos municípios menores e de difícil acesso. A ausência desses médicos pode significar um impacto preocupante nas unidades de média e alta complexidade”, diz a nota.

Valor ‘destinados à ditadura’

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou pelo Twitter que o governo cubano não aceitou as condições estabelecidas para manter o programa Mais Médicos.

“Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu o presidente na rede social.

‘Condições inaceitáveis’

Segundo o governo cubano, “as mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificados em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba”.

Ainda segundo o governo cubano, em cinco anos de trabalho no programa brasileiro, cerca de 20 mil médicos atenderam a 113.539 milhões de pacientes em mais de 3,6 mil municípios, chegando a compor 80% do contingente do Mais Médicos.

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, o governo federal está tomando medidas que garantam a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família que contam com profissionais de Cuba. Nos próximos dias, segundo a entidade, será convocado um edital para médicos que queiram ocupar as vagas a ser deixadas pelos profissionais cubanos. Das 18.240 vagas do programa, 8.332 são ocupadas por médicos cubanos.

Fonte: G1

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