Aos 17 anos, acreano que sempre estudou em escola pública passa em 3º lugar em medicina na USP

02.02.2019 15:31 Por REDAÇÃO ONLINE

Luiz Fernando entrou pelo sistema de cota racial: ‘Não esperava’.


Luiz Fernando passou na cota racial, independentemente de renda e que estudou em escolas públicas  — Foto: Arquivo pessoal

Luiz Fernando passou na cota racial, independentemente de renda e que estudou em escolas públicas — Foto: Arquivo pessoal

O estudante Luiz Fernando de Oliveira Peixoto, de 17 anos, está prestes a realizar dois sonhos: cursar medicina e conhecer São Paulo. O acreano foi aprovado em terceiro lugar no curso pela cota racial na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu).

“Fiquei bem surpreso porque a USP tinha uma exigência de nota mínima de 700 em todas as áreas até o ano passado. Esse ano diminuiu e eu tentei uma vaga. Não esperava”, falou o estudante ao G1.

Para se preparar, o adolescente fez uma prova em um cursinho preparatório para concorrer a uma bolsa integral. Com a bolsa, Luiz passou a estudar todas as manhãs no curso e revisar os conteúdos no período da tarde.

“Estudei várias horas durante o dia, ia para o cursinho durante a manhã e à tarde revisava e reescrevia o conteúdo que foi passado. Dois dias da semana ia para o curso de inglês à tarde, acabava que nesses dias não estudava para o Enem”, relembrou.

Notas

A média final do adolescente, que sempre estudou em escolas públicas, foi de 784 pontos. Na redação ele ficou com 880, em linguagens 671, ciências humanas 753, matemática 862 e ciências da natureza 748.

“A primeira vez que fiz o Enem estava no segundo ano e não podia concorrer à vaga. Ano passado fiquei bem distante das vagas para medicina na Ufac [Universidade Federal do Acre]. De lá para cá tive um salto enorme”, relatou.

O jovem diz que não usou nenhum método específico para estudar, mas se dedicou bastante para as provas. As terças e quintas eram os únicos dias que Luiz não estudava porque estava no curso de inglês.

Acreano foi aprovado e vai cursar medicina na USP — Foto: Reprodução

Acreano foi aprovado e vai cursar medicina na USP — Foto: Reprodução

1ª vez em SP

A ansiedade para começar as aulas vem acompanhada de outra novidade. Mais velho de quatro irmãos, o adolescente não conhece São Paulo e vai ficar no apartamento de um amigo do pai até se organizar e encontrar outro lugar para morar. No Acre, ficam a mãe e os três irmãos do jovem.

“Estou com as passagens compradas e as aulas começam daqui três semanas. Vai ser totalmente novo, não conheço nada do local, espero não ficar perdido. Vou ficar com um amigo do meu pai, enquanto consigo um lugar para ficar, que será no alojamento da universidade ou apartamento próximo”, confirmou.

Ensino médio

A primeira vez que fez as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o adolescente tinha 16 anos. A segunda, em 2017, estava concluindo o ensino médio e acredita que não se dedicou o suficiente para o exame por causa das provas na escola.

“Acho que a escola acabou atrapalhando um pouco os estudos, até ia para o cursinho, mas acho que a escola atrapalhou porque não tinha tempo para revisar o conteúdo. Agora não tinha preocupação de estudar para prova, para tirar nota na escola, o que acabou facilitando”, frisou.

Luiz Fernando sempre estudou em escolas públicas e sonhava cursar medicina na USP — Foto: Reprodução

Luiz Fernando sempre estudou em escolas públicas e sonhava cursar medicina na USP — Foto: Reprodução

Mãe tranquila

Com o filho se preparando para morar longe, a secretária-executiva Luslene Vasquez de Oliveira disse que o coração de mãe está tranquilo e realizado. Ela diz que vinha preparando o psicológico há algum tempo para esse momento do filho mais velho sair de casa.

“Preparei meu psicológico para isso, nunca fui aquela mãe que acha que o filho tem que estar debaixo das asas. Filho é para o mundo mesmo, temos eles para estudar, se tornarem bem sucedidos e seguir a vida deles. Claro que vamos sentir bastante porque temos um convívio, mas torço muito por ele”, contou.

Luslene Vasquez, mãe de Luiz Fernando, diz que se preparou o psicológico para a mudança do filho  — Foto: Arquivo pessoal

Luslene Vasquez, mãe de Luiz Fernando, diz que se preparou o psicológico para a mudança do filho — Foto: Arquivo pessoal

A mãe é só orgulho e elogios ao falar do filho. Ela relembrou que Luiz chegou a ser aprovado em outros cursos no Acre, em 2018, e ela sugeriu que o adolescente estudasse direito, mas o filho insistiu em fazer medicina na USP e Luslene deu total apoio.

“É uma vitória para ele, apesar que sempre foi bom aluno e se destacou. Nunca tive problemas nem com ele e nem os irmãos dele. Passou o ano fazendo o cursinho pela parte da manhã, eu levava almoço para ele, não vinha em casa, e ficava à tarde revisando”, declarou.

Fonte: G1

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