Detentos assassinados em presídio do AC foram mortos por presos da unidade, diz juíza

07.02.2018 17:53 Por Redação Juruá Online

Juíza da Vara de Execuções Penais disse que tiros foram disparados por detentos que também saiam da unidade. Ataque na Papudinha deixou dois mortos e parte do prédio em chamas.

Presos são executados na saída da cadeia, em Rio Branco

Presos são executados na saída da cadeia, em Rio Branco

O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) informou que os presos do regime semiaberto que estavam na Papudinha devem ser encaminhados para o regime fechado.

Além das mortes, cerca de 60% da ala onde ficavam os presos do regime foi incendida e ficou totalmente destruída. A direção da Papudinha garantiu que o bloco que aloja os detentos do regime fechado não foi atingido. Fotos de dentro da unidade mostram como ficou o local após o incêndio.

Os detentos que morreram, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), foram Mateus da Silva Lima, de 21 anos, e Antônio Marcos Teles Felisberto, de 30 anos. Lima morreu ainda no local e Felisberto foi levado para o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e morreu na unidade de saúde.

“As informações que tenho é que não foram pessoas que chegaram na unidade para executar, mas pessoas que já estavam na unidade e teriam escondido a arma de fogo naquele mato ou areia, naquele campo aberto”, explicou a juíza Luana Campos.

Detentos colocaram fogo na unidade na manhã desta quarta-feira (7)  (Foto: Arquivo Pessoal)

Detentos colocaram fogo na unidade na manhã desta quarta-feira (7) (Foto: Arquivo Pessoal)

“Diante dessa situação, houve um reforço de segurança, eu mesma estive lá por volta das 18h. Na sexta [2], os reeducandos foram dispensados do recolhimento noturno, mas no sábado [3] retornaram com algumas faltas. No sábado foram 40 faltas, na segunda umas 30 e pouco, e já diminuiu para umas 20 faltas. Estávamos tendo um retorno gradativo”, complementou.

Arma usada por suspeitos estaria escondida em banco de areia que estava em terreno da unidade (Foto: Lidson Almeida/Rede Amazônica Acre)

Arma usada por suspeitos estaria escondida em banco de areia que estava em terreno da unidade (Foto: Lidson Almeida/Rede Amazônica Acre)

Presos do semiaberto devem se apresentar no FOC

Ainda de acordo com a magistrada, os detentos que cumprem pena no regime semiaberto devem começar a se apresentar no Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde (FOC) até a quinta (8). Em caso de faltas, Luana garantiu que vai expedir um mandado de prisão para que o detento seja recolhido imediatamento ao regime fechado.

“É a solução que encontrei e considero mais adequada para o momento. Estamos fazendo um esforço concentrado porque não temos vagas. O sistema prisional está inchado e não há uma solução imediata para isso. O presídio de hoje é o mesmo de 15 anos atrás sem ampliação de vargas e a população carcerária só cresce. Claro que o problema não é só no Acre, mas estamos no Acre e temos que tratar a situação do nosso estado de uma forma pontual e responsável”, acrescentou.

Sobre remanejar os detentos para a monitoração eletrônica e fechar a unidade, como anunciado pela Segurança Pública do Acre durante a semana, Luana afirmou que o Estado não tem equipamentos suficientes para instalar todos os 394 presos – do regime fechado e semiaberto – na monitoração. A Papudinha comporta um total de 400 detentos.

Detentos colocaram fogo na unidade após presos serem mortos (Foto: Arquivo Pessoal)

Detentos colocaram fogo na unidade após presos serem mortos (Foto: Arquivo Pessoal)

“Não existem equipamentos disponíveis. Houve um contato prévio com o Iapen e hoje teremos uma reunião na parte da tarde, receberemos até sexta-feira [9] 180 tornozeleiras, que já não atendem a necessidade. Semana que vem estaremos recebendo mais equipamentos”, confirmou.

A magistrada falou ainda que não foram identificados os autores do incêndio e também das mortes. Segundo ela, os suspeitos devem responder por novos crimes como dano ao patrimônio público, no caso dos responsáveis pelo incêndio, e homicídio.

“Para garantir a segurança da sociedade, não vou admitir que eles fiquem em casa à noite. Estamos chegando no período de carnaval e temo que seria bastante perigoso para a sociedade que esses mais de 300 presos fiquem na rua sem qualquer controle”, concluiu.

Fonte: G1 Acre

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