Enfermeiro do AC é indenizado após filha de paciente dizer que não recebia ‘ordens de nego’

26.03.2019 14:42 Por REDAÇÃO ONLINE

Roginner Fernando foi ofendido em agosto de 2018 quando atendia uma idosa, em Rio Branco. Decisão é resultado de um recurso da acusada.

Por G1


TJ-AC publicou nesta segunda-feira (25) resultado de recurso  — Foto: Reprodução/Google Street View

TJ-AC publicou nesta segunda-feira (25) resultado de recurso — Foto: Reprodução/Google Street View

O enfermeiro Roginner Fernando, 41 anos, ganhou na Justiça uma indenização no valor de R$ 800 após sofrer uma ofensa racial enquanto atendia uma idosa em agosto do ano passado.

A decisão, da 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais da Comarca de Rio Branco, foi publicada no Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) nesta segunda-feira (25) e é resultado de um recurso da acusada.

A reportagem não conseguiu contato com a acusada.

Ao G1, o enfermeiro contou que a mãe da acusada fazia uma reposição de sódio no hospital que Fernando trabalha e a mulher queria levar a paciente para casa antes do fim do atendimento. Então, o enfermeiro sugeriu deixar a idosa terminar o tratamento.

“Era uma senhora que estava muito debilitada e precisava do atendimento. Tentamos convencer ela a ficar e em determinado momento falou que ia levar e eu falei que não ia. Ela, então, olhou pra mim e falou: ‘onde que não vou sair com minha mãe? Onde já se viu um nego desse me dar ordem?’”, relembrou.

Fernando disse que no dia seguinte a ofensa já procurou a polícia para registrar um boletim de ocorrência e depois foi na Justiça. O enfermeiro afirmou que prestava toda assistência à mãe da acusada e mesmo assim foi ofendido.

“De repente se eu fosse loiro dos olhos azuis podia dar ordens para ela. Estava ali oferecendo o melhor para a mãe dela, preocupado e cuidando. Quer prova de amor maior do que cuidar da mãe de alguém? Me ofendeu de uma maneira desnecessária”, lamentou.

O servidor disse que não podia interromper o atendimento da idosa, mas a filha insistia em levá-la embora. Após liberação da equipe de atendimento, a idosa chegou a desmaiar na recepção da unidade de saúde.

“A gente até entende quando a pessoa está nervosa, mas nada justifica. Após o fim do atendimento nós liberamos e ela desmaiou na recepção. A enfermeira veio me chamar, fui ao encontro e o guarda trazia ela na cadeira de rodas”, relembrou.

Enfermeiro há 15 anos, Fernando contou que nunca passou por uma situação dessas.

“Já trabalhei com índios, presidiários, pacientes da rede particular, rede pública, na fronteira, com tudo que possa imaginar e nunca tinha ocorrido isso. Independente de classe social, nunca tinha acontecido”.

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