Nível de malária cresce e população se preocupa em Cruzeiro do Sul

20.10.2017 14:16 Por Redação Juruá Online

   A população de Cruzeiro do Sul continua sendo castigada pela epidemia de malária. Só este ano, mais de 15 mil casos já foram registrados e nos últimos três anos, os números só aumentam. Algumas pessoas contraem a doença novamente logo após o tratamento. A dona de casa Alcilene da Silva, que mora na comunidade Areal após a Vila Assis Brasil, vem tendo seguidos casos de malária já contraiu a doença dez vezes, quase sem intervalo. O filho dela Luiz Guilherme de quatro anos, já teve cinco malárias.

“Não dá intervalo de nem um mês, é uma atrás da outra. A gente toma o remédio certo, todas as sete doses e quando ta perto de acabar já pega de novo“, disse Alcilene.

A família fica sem alternativa, faz o tratamento, mas contrai a doença já em seguida. O medo são as consequências dos seguidos casos de malária.

Pela região da estrada do Pentecostes não é difícil encontrar pessoas vivendo um verdadeiro drama e com a saúde debilitada com tantas vezes que contraiu malária. A funcionária pública Silvia Maria já sente as consequências das 45 vezes que contraiu malária, algumas vezes quase sem intervalo de tempo.

“ Desde Setembro estou tentando me curar de uma, e não fico de cama porque ninguém dá atestado”, lamentou a funcionária.

Esta é a unidade de saúde do Nari do Môa, incluindo a região do pentecostes e comunidades da BR-364 15 agentes percorriam toda região colhendo lâminas e desenvolvendo outras ações, agora só resta um terço dos agentes em campo. Os moradores afetados com a doença notaram a redução nas ações.

“Agora ta mais difícil porque se você estiver de cama com fome e frio, você vai ter que esperar passar para ir em algum posto de saúde”, ainda relatou Silvia.

Cruzeiro do Sul este ano já registrou mais de 15 mil casos de malária, neste gráfico é possível notar um acréscimo considerável da doença nos últimos dois anos. O mês de setembro teve um aumento de casos considerável em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 1721 número superior também ao mês anterior quando houve o registro de 1.634 casos da doença. Em 2016 foram registrados quase 19 mil casos e os números em 2017 seguem no mesmo caminho. Adultos e crianças sendo castigados pela epidemia que pode trazer duras consequências a saúde.

“Eu sinto muita dor no estômago, no fígado que está inflamado, diarreia. A médica disse que está em um passo para eu contrair a hepatite A”, disse Silvia.

A gerente de atenção básica do município de Cruzeiro do Sul, Janaína Negreiros, afirma que os números de casos vem crescendo nos últimos dois anos.

“Em 2016, Cruzeiro do Sul teve um acréscimo de 32% nos casos de malária. Neste ano, nós ainda temos um acréscimo de 15%, mas nós temos que levar em conta o ano de 2016 porque aconteceu uma descontinuidade nas ações e isso acaba refletindo no ano seguinte. Em janeiro desse ano, nós sofremos uma alagação sem precedentes, então depois da alagação, vários criadouros ficaram. Nós aumentamos esses postos aonde pode ser feito o exame de segunda à segunda, no hospital do Juruá 24 horas por dia. Mas a gente sabe que a população ainda precisa fazer a parte dela”, finalizou a gerente.

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