Acessibilidade não é besteira, é segurança!

15.05.2017 18:47 Por Redação Juruá Online

            Cá estou falando sobre o caos da acessibilidade municipal novamente. Sério, eu não sei mais onde meter a minha cara de tão feia que já é por “descer o pau” no assunto. Para mim não tem mais nada que enfadonho do que criticar faltas de hábitos que geram desrespeitos com pessoas acometidas por qualquer tipo de deficiência. Porém, se os bonitões que cuidam da cidade ou de algum órgão público ainda não se inteiraram que acessibilidade é segurança e não besteira vou continuar batendo nessa tecla doa a quem doer.

            A falta de acessibilidade é considerada o maior entrave na vida de quem precisa dela. Dificulta tudo em dobro, principalmente a mobilidade. Além dessa dificuldade, tal escassez vergonhosa nos traz riscos imagináveis e bizarros.

            Queria que muitos sentissem na pele a minha ou a realidade de outra pessoa que depende de lugares acessíveis. No entanto, depois de sexta-feira passada esse meu querer virou um sonho: ver quem ridiculariza a precisão de rampas, pisos e tantas outras formas de inclusão sofrer com a sensação horrível de quase queda de uma cadeira de rodas. Quase cair da cadeira foi o que aconteceu comigo e por quê? Simplesmente por causa de um desnivelamento imbecil situado na frente da instituição que estudo.

            Aquele desnivelamento idiota se transformou em uma muralha gigante, onde a roda da cadeira bateu e voltou me desestruturando toda naquele momento. Pela cadeira não ter cintos e eu nem querer andar amarrada fui arremessada para a beirada do assento de nylon ficando por um fio de encostar no piso que recepciona os acadêmicos. Só não cheguei a cair pelo impacto não ter sido tão forte e pela rapidez em que a Tatiane, minha amiga de faculdade me segurou.

            Na hora, a gente riu e tudo. Mas… e se tivesse me esborrachado no chão? Tudo bem, eu sei que do chão não passamos e também se não possuirmos ossos de vidro, um tipo de deficiência com certeza não vamos nos quebrar em mil pedaços. Porém, por mais que não sejamos bibelôs, uma queda pode nos machucar seriamente e ocasionar danos irreparáveis ao corpo limitando bem mais nossos movimentos motores.

            Esse relato mostra o quão os cadeirantes são vulneráveis, o quanto eu sou vulnerável aos obstáculos de pouquíssimos centímetros. Confirma também que a acessibilidade não é para enfeitar um ambiente, mas para salvar vidas, nos livrar de grandes estragos. Sendo assim, peço a quem ainda tem alguma consideração por nós que construa adaptações de qualidade e com a mesma intensidade que comem ou bebem água. Eu e todos os demais agradecemos a gentil e obrigatória proeza.

Por: Rita Albuquerque

Recomendado

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site ou de seus editores.