Achei pouco

30.11.2017 14:28 Por Redação Juruá Online

Às vezes, o que é demais ainda é pouco. E realmente eu ainda achei pouco, mas muito bem feito quando o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em conjunto com o Ministério da Educação (Mec) abordou na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 o tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil.” Isso ergueu um debate polêmico à cerca da diversidade e inclusão e veio como um tiro certeiro nos alicerces tanto dos alunos quanto dos professores, os quais admitiram a falta de preparo para falar do assunto.

A temática da redação deste ano dividiu opiniões. Li, vi e ouvi diversas. Positivas e negativas. Mas, o que me intrigou mesmo foi as pessoas que disseram que estavam na expectativa para dissertar e argumentar sobre problemas sociais. Meus amores, pelo amor de Deus não me façam vergonha! Quem disse para vocês que a formação dos surdos não é um problema social??? É problema social SIM!!! E independente de idade e diferentes níveis de educação é problema de TODA a sociedade. Ah! E da mesma forma que vocês se submetem a estarem por dentro de tudo o que acontece no meio da política caótica do nosso Brasil, deveriam ser inteligentes o bastante para adentrar e se aprofundar no mundo dos surdos, mudos, cegos, etc.

E bom, mais do que vocês, eu tenho o conhecimento do quão o Sistema Educacional em relação a isso é desafortunado. E assim como os surdos, eu também sofro com as falhas vergonhosas deste modelo de ensino e de fato, ele não dar a devida atenção e na maioria das vezes não se esforça para encaixar visivelmente o assunto da educação inclusiva dentro das escolas públicas e privadas. Porém, por mais que exista esse grande erro vindo por parte dos próprios que fazem a educação acontecer, vocês não podem se corromper. Vocês têm armas suficiente para mudar esse cenário, só basta querer. Se não sabe e a escola não te ensina, recorre à internet. Não é a mesma coisa, eu sei, mas te garanto que pelo menos você não vai trocar as bolas e falar imbecilidades sobre as dificuldades das pessoas com deficiências ou então confundir ridiculamente a Língua Brasileira de Sinais com a tal astrologia.

Entretanto, me desculpem, mas eu não posso mentir e muito menos ser hipócrita ao ponto de não demonstrar a minha satisfação e felicidade quando esse debate finalmente ganhou vida numa prova que atinge quase 7 milhões de brasileiros. Fiquei feliz mesmo. Não escondo não! Queria até ter virado uma mosca para ver as fascinantes caras horrorizadas de vocês. (Kkkkkkkkkk.) Eu imagino que não foram das mais bonitas, principalmente as daqueles ignorantes que amam ignorar e fazer piadinhas sem graça com a maneira que os nossos surdos se comunicam com o resto do universo.

Porém, sinceramente eu até hoje estou sem entender bulhufas do porquê que as pessoas reclamaram tanto de um tema tão incrível. Só pediram para elas escreverem e ponto, nada mais! Agora, se tivessem mandado todas viverem na pele os obstáculos que um surdo enfrenta para ter uma formação educacional eu até faria uma mínima tentativa para compreender essa tempestade no copo d’água que fizeram e ainda teria paciência para perder o meu precioso tempo pensando se deveria ter um pouquinho de peninha ou não, porque isso sim é extremamente delicado.

Portanto, vocês agradeçam por eu não ser a grande e a única responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), se não além da redação, colocaria as outras 90 questões todas voltadas para esse universo inclusivo que merece plena atenção e respeito. Iria ser lindo!!! (Kkkkk.) Quem sabe um dia não é!? Mas enquanto isso não acontece, eu já me contento com a atitude de mostrarem que os surdos não são criaturas de outro universo, e sim seres humanos como eu, você e todos o que habitam na terra.

Por Rita Andrade

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