Dias de luta, dias de glória

30.09.2018 10:08 Por REDAÇÃO ONLINE

Dias de luta, dias de glória

Da mesma maneira que é importante mostrar para a criança desde cedo o senso de partilha, é importante ter um momento que engrandeça bem essa ideia. Assim, se nos entregarmos a essa reflexão veremos o quão somos ricos por possuímos o senhor Setembro, um mês que trabalha generosamente a generosidade de repartir. Ele é um tempo que sabe dividir espaços e compartilhar histórias de vida. Logo, além de ser instituído como o mês de prevenção ao suicídio, também divide as suas preciosas horas com o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, o Dia Nacional do Atleta Paralímpico e o Dia Nacional do Surdo.

Acho que PROVAVELMENTE se não tivéssemos um mês tão nobre como Setembro as pessoas com deficiência não teriam a chance de viver dias de glória, pois fora essas datas inclusivas nós convivemos apenas com dias de luta. E a grande culpada disso é a própria sociedade, a qual ridiculamente se nega a respeitar tudo o que nos ampara por lei, porque, quando vamos às ruas geralmente mostramos o que é errado e conscientizamos a praticar o certo. Porém, na hora que se finda o dia de intensas e múltiplas conscientizações as pessoas vão lá e fazem tudo, absolutamente tudo errado novamente.

Rapaz, vocês nem imaginam o quanto fico “bala” com essas atitudes inacreditáveis. É absurdamente triste a comunidade não se tocar para tentar melhorar. Falo isso não para gerar uma significativa mudança para gente que precisa, mas sim por você e sua ética, os quais são os mais importantes nessa conversa. Pois, assim como eu me acostumei tenho a plena convicção que a maioria das pessoas com deficiência já se acostumou com essa falta de bom senso. E é em virtude disso que já abandonei a falsa ilusão de que o outro vai mudar, de que um dia ele vai acordar e, sem mais nem menos, mudará seu comportamento. Ao meu ver de agora, quem realmente deseja mudar não necessita de ninguém lhe implorando, dia após dia, que mude. Pouquíssimos conseguem mudar comportamentos que prejudicam quem está ao lado, pois, para tanto, é preciso enxergar o outro e pessoas que machucam não enxergam ninguém além do próprio umbigo.

Por isso, é com bastante pesar que eu me despeço do respeitoso e generoso mês de Setembro. Eu queria muito que tivéssemos mais seres humanos como Setembro ou ao menos que as pessoas fizessem o ano todo ser Setembro, pois é só através da entrega de cada um que um resultado coletivo é capaz de se construí positivo para nos libertar de menos dias de luta.

Por: Ritinha Andrade

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