A maturidade de uma sociedade

01.03.2017 11:01 Por jornalismo

Ser maduro simboliza também ser tolerante com outrem. É aceitar que todos somos imperfeitos e limitados, que ninguém pode desmerecer o direito de alguém existir e ser como ele é, independente de gostar ou não de sua maneira de vida. Assim, para que a inclusão das pessoas com deficiência pare de ser vista como “algo extraordinário” e passe a ser olhada de forma normal dentro do cotidiano é necessário que no seio da sociedade haja uma “maturidade” sobrenatural. Infelizmente tal “maturidade” ainda falta entrar na cabeça de muitos por aqui, mas é com grande satisfação que falo de uma equipe que vem aprendendo a ensinar os outros seres humanos a praticar mais isso com a devida estima.

Há alguns dias, comentei que a Batista Betel, a igreja que eu frequento estava começando a se adaptar para quem precisa. Por isso, hoje decidi descrever para vocês um pouquinho dessa minha felicidade promovida por uma rampa de acesso, construída através da rara sensibilidade que os homens ainda possuem.

Muitos, em decorrência da correria do dia a dia ficam cegos e não conseguem reparar o que as coisas mínimas nos causam. Eu disse muitos, não todos! E eu graças ao Poder que me rege não faço parte desses muitos. Consigo enxergar com nitidez e até me emocionar com as coisas minúsculas da vida. No entanto, foi com esse olhar do essencial que olhei a primeira vez para a rampa de acesso, da qual construíram recentemente na igreja. Poder usá-la sem nenhuma dificuldade e depois ver vários vovozinhos utilizando-a também me encheu os olhos. Sério, não tem nada mais recompensador do que isso.

Eu não vou mentir, que muitas vezes eu quero abandonar e desistir de tudo que enfrento para ter acessibilidade em nossas cidades, mas quando me pego revendo aquela cena dos vovozinhos subindo a rampa que por causa da minha presença surgiu o anseio de criá-la é como se as minhas forças ganhassem mais uma bolsa de sangue para lutar com maior obstinação por aquilo que agora ninguém “liga”, porém, que daqui há alguns anos todo mundo precisará. Portanto, se inspirem igrejas e deem condições suficientes e principalmente adequadas para que todo tipo de público possa frequentá-las. E sociedade tenha mais “maturidade”, por favor!

Por: Rita Albuquerque

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