Nervos à flor da pele

10.07.2017 15:23 Por Redação Juruá Online

Se entregar por inteira a um esporte, por mais que seja adaptado para as suas deficiências é como ser tomada por uma avalanche de mistas sensações, que volta e meia colocam os seus nervos à flor da pele. Seguindo esta linha de pensamento, juro que foi isso o que aconteceu comigo quando estive em Rio Branco participando da Estadual de Bocha Paralímpica.

Talvez, descrever como se encontrava dentro de quadra a paratleta de Bocha adulta e de Cruzeiro do Sul ao pé da letra seja um tanto audacioso, mas pelo menos um tiquinho do que ela sentiu vocês, leitores assíduos saberão.

O jogo em si, é intenso e tem um grito de vibração contido no silêncio do início ao fim. Cada competidor deixa à mostra particularidades tanto físicas quanto emocionais. Eu, por exemplo, além de mente concentrada, muitas vezes necessito travar uma briga terrível com os nervos enrijecidos que ficam à flor da minha pele quando é hora de tentar uma jogada certa e bastante precisa. A cada arremesso que eu consigo desempenhar é como se meu coração fosse junto. Ah! E falando em coração, vocês não têm noção do quanto bate forte e fala alto dentro do meu peito, parecendo até uma das escolas carnavalescas do Rio de Janeiro ou de São Paulo (risos).

Até um dia antes do Campeonato, eu já sabia o que era competir e perder, que não é muito bom, porém, extremamente essencial para intensificar os treinos e ir sempre em busca de aprimoramentos. No entanto, após tantas tentativas, na maioria frustrantes finalmente cheguei ao pódio. Para mim, só o fato de chegar lá já foi uma grande vitória, mas quando soube que o meu bom desempenho tinha me proporcionado estrear o pódio em primeiro lugar da classe BC1 ri e depois me desmanchei em lágrimas (risos). Gente, é uma das melhores sensações possíveis e realmente indescritível. Sabe quando você vence a si próprio? Pois então, foi isso que pude sentir. Venci os meus medos, os desafios no jogo, fui grande perante as minhas dores musculares e me venci por algo que se tornou maior do que eu.

Venho trabalhando minhas falhas há uns cinco anos e agora, poder dar o meu primeiro passo para a tão almejada profissionalização é uma felicidade sem dimensão. Nos próximos dias, entretanto, com o auxílio da APAE e Prefeitura de Cruzeiro do Sul estarei competindo no Pará, o Campeonato Regional Norte. Estou preparada para ganhar e perder, os dois possuem aprendizados inigualáveis, mas caso eu venha ter uma boa atuação, ficarei apta a participar do Brasileiro, que é justamente o Campeonato profissional e o que mais sonho de um dia lá chegar. Pois, ele me abrirá uma porção de portas para outros eventos nacionais e até mesmo internacionais.

Por: Rita Andrade

Recomendado

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site ou de seus editores.