O país das maravilhas

01.03.2018 13:33 Por Redação Juruá Online

            Não! Não há necessidade de pedirmos licença ao Chapeleiro Maluco e muito menos perturbarmos os sonhos de Alice para termos acesso ao país das maravilhas. O que temos que fazer é nos libertar daquelas gaiolas vazias como o Brasil quando o assunto é qualidade de vida das pessoas com deficiências e voarmos até Toronto, a maior cidade e o maior centro financeiro do Canadá, além de capital da província canadense de Ontário. Ah, o Canadá! Um país que POR ENQUANTO ainda desconheço pessoalmente, mas que já ganhou o meu coração por elevar a acessibilidade e o respeito no mesmo nível que eleva a economia, educação, o desenvolvimento de um todo.

            Eu amo o Canadá num patamar que vocês não têm noção. Creio que no fundo, no fundo sou canadense e fizeram a proeza de esconderem isso de mim. Podem me dizer! Eu acho que não vou ter um troço (rsrsrs). Bom… eu vou explicar o porquê que o meu santo bate com esse real País das maravilhas, o qual é desenvolvido e que todos os dias se torna um pouco mais potente. Mas antes, uma pergunta: como ser livres e presos ao mesmo tempo? Não! Ainda não temos o poder de Deus para estarmos em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Somos só meros brasileiros com limitações físicas e intelectuais, e por isso, pessoas livres, porém presas. Vamos raciocinar comigo! Se Cruzeiro do Sul, o Acre e o Brasil não investem numa acessibilidade de ponta as pessoas com deficiência não têm como irem às ruas, não é? Mas, se mesmo assim elas insistirem em sair de suas prisões domiciliares irão acabar sempre dependendo da ajuda de alguém e até ficando expostas a possíveis e mortais acidentes, porque a acessibilidade brasileira junto com a falta de educação das pessoas é um lixo, é realmente deplorável. Isso me deixa morta de pena. Não por mim, mas por todos os que vão envelhecer ou por algum motivo amanhã terão uma deficiência visível.

            Agora vamos voltar a minha explicação sobre o País das maravilhas para pessoas com deficiências. No Canadá, toda essa deficiência do Brasil se converte em eficiência. Lá é defendido que o esforço rumo a uma sociedade inclusiva para todos É A ESSÊNCIA do desenvolvimento social sustentável. Em Toronto, por exemplo há infinitas rampas de acesso espalhadas pela cidade, elevadores nas estações de metrô, shoppings, lojas e aeroportos. Os cadeirantes além de fazerem a festa, circulam SOZINHOS e com louvor nas ruas, pois o asfalto não possui buracos ou desníveis que atrapalhem as passagens. Em todos os locais existem portas automáticas, as quais contam com um botão na lateral com o símbolo de acessibilidade para que as pessoas com dificuldades apenas o apertem. Assim, não há necessidade de empurrar as pesadas portas e nem estar na dependência de terceiros.

            Têm ônibus exclusivos e adaptados. Li que o governo de Toronto fez muito além da acessibilidade e instaurou um outro ônibus bem mais exclusivo para idosos e pessoas com uma deficiência permanente ou temporária, o Wheel Trans. Para utilizar esse serviço é preciso viver uma certa burocracia. O primeiro passo é agendar uma entrevista com os donos da empresa para avaliarem e verem se as pessoas têm mesmo problemas de locomoção. Eles não pedem nenhum documento ou declaração médica, pois no Canadá a sua palavra e o bom senso de quem estiver entrevistando já bastam. Quem é aprovado recebe um número de registro e com ele pode solicitar o serviço de 3 dólares pelo telefone ou pela internet e ir e vir para qualquer lugar. E também devem fazer a reserva desse transporte com 24 horas de antecedência, porque têm vários outros passageiros e todo mundo tem que ser atendido.

            Tanto as escolas como as salas de aulas têm ambientes e conhecimentos acessíveis. Algumas instituições até disponibilizam uma quantia em dinheiro para que os alunos que requerem a atenção de fonoaudiólogos, fisioterapeutas ou outros profissionais possam custear o tratamento. Além disso tudo, as pessoas são indiscutivelmente educadas e incrivelmente conscientes. Elas podem até estarem arrancando os seus cabelos de tanto desespero enquanto caçam uma vaga para porem os seus veículos, mas de forma alguma estacionam nas vagas reservadas NEM POR 1 MINUTO. Entretanto, Montreal e depois Toronto cederam palco para o O’Noir, um restaurante que inicialmente ao entrarmos nos deparamos com um espaço iluminado, onde se concentra uma espécie de lounge, com um bar construído na década de 70 e que dentro da decoração tem um painel mostrando o alfabeto em Braille. Mas, o lugar atrai a atenção e curiosidade mesmo pelo simples fato de oportunizar aos seus clientes jantarem totalmente no escuro e serem servidos por deficientes visuais. A proposta é que eles possam vivenciar em uma noite a sensação de não enxergar “um palmo diante do nariz” e refletirem sobre a cegueira e obstáculos que as pessoas cegas enfrentam todos os dias.

            Portanto, é por isso que eu não vou ficar presa em Cruzeiro do Sul. Assim como todos os seres humanos eu também fui criada para buscar o melhor para mim e o Brasil não é e nunca será consciente disso. Eu sei que não será fácil essa mudança, minha família ainda não namora a ideia, mas é bom começar logo esse namoro. Eu preciso ficar livre por completa e voar para um país que vai me valorizar com respeito e oferecer-me em todos os sentidos uma senhora qualidade de vida. Enfim… é isso. Daqui um tempo vocês terão notícias de mim do Canadá. Vou morar lá. E o dilema que me atormenta é se eu educo minha filha africana em Toronto ou Montreal, porque são duas cidades que realmente me enchem os olhos. Montreal ou Toronto?? Me ajudem, pelo amor de Deus!!! Rsrs…

 Por: Rita Andrade

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