Prefiro ser essa metamorfose ambulante

30.06.2019 18:41 Por REDAÇÃO ONLINE

            É interessante compararmos o ser humano com as borboletas. Ambos deixam de ser larvas e se desenvolvem para enfrentar a vida. Porém, alguns não suportam viver a metamorfose completa, porque ela é dolorida e muito extensa. Outros possuem tanta força, aguentam tão firmes que uma hora abandonam seus casulos e se tornam capazes de voar impactando o mundo.

            Eu sou uma desses outros. Abandonei o casulo. Tive e ainda continuo tendo força para aguentar preferindo ser uma metamorfose ambulante. No entanto, é lógico que devo grande parte da evolução que adquiri a minha família e amigos, mas se a fisioterapia não tivesse alcançado a minha vida eu não teria construído nada de mim até aqui. A fisioterapia é uma área da saúde que foca basicamente na reabilitação e desenvolvimento dos movimentos (músculos, articulações, etc.) e, por mais que tenha sido tardiamente, eu comecei a namorar sério com ela ainda criança. Fiz em diversos lugares, mas as sessões que me capacitaram seguir em frente mesmo foram as que eu realizei no PAN de Cruzeiro do Sul e na Escola de Ensino Infantil Padre Alfredo Nuss. Nesses locais, eu fazia a estimulação precoce, a qual trabalha para progredir e potencializar as funções cerebrais da criança, enriquecendo seu lado intelectual, seu físico e sua afetividade, através de jogos, exercícios, técnicas, atividades e outros recursos.

            Ainda hoje, lembro o quão àquelas sessões iniciais de alongamentos doíam horrores. O tanto que eu chorava. Vocês não têm noção! Na época, eu não aceitava compreender o porquê daquele sofrimento todo, mas agora que sou mulher somente tenho gratidão por essa fase dolorosa da minha transformação. Provavelmente, se não fosse por ela, eu nunca teria deixado de ser a boneca de pano que era e muito menos teria condições de levantar e sustentar firme o pescoço para olhar os meus sonhos. Além disso, a estimulação precoce me preparou, ensinou a me refazer quantas vezes fossem necessárias para que eu soubesse evoluir em todas as oportunidades que passasse por mim dali em diante.

            Entretanto, de oportunidade em oportunidade fui atendida pelo Projeto “Menino Jesus de Nazaré”, depois pela APAE e agora (já têm uns anos, na verdade rs) pela Clínica Vitalle. Nesse último espaço, eles fazem comigo um trabalho totalmente voluntário, porque o dono foi e está sendo muito gentil com o meu caso e situação. Lá, além de ter acesso à fisioterapia e hidroterapia, há uns três, quatro meses conheci e iniciei a terapia ocupacional. A mesma se preocupa com o desempenho das pessoas nas ocupações diárias e através de exercícios desafiadores trabalha bastante a minha coordenação motora, principalmente a fina. Isso se tornou mais um estímulo na minha vida e depois da faculdade então, que arranjei mais tempo para se dedicar a essas atividades estou conseguido realizar SOZINHA coisas incríveis, como, por exemplo: passar o creme de pentear no meu cabelo, me maquiar melhor e sem me machucar.

            Foi e é assim, com a ajuda da fisioterapia, hidroterapia e agora terapia ocupacional (meu trio parada dura rs) que a minha metamorfose ambulante pulsa, muda e impacta a todo instante o meu e o mundo de quem vive próximo de mim. Obrigada a todos que me deram e dão a chance de driblar ou varrer os obstáculos e minhas dores. Espero que todos os que precisem desses atendimentos tenham oportunidades iguais às minhas, pois eu mais do que ninguém sei o quanto isso capacita a gente para a vida.

Por: Ritinha Andrade

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