Terra de Gigantes

25.01.2018 13:25 Por Redação Juruá Online

Em terra de GIGANTES, nós, os principiantes não adentramos para sermos derrubados e tão pouco pisoteados. Ah! E nem para tentarmos sobreviver. Nesse terreno, nós entramos para humildemente nos concentrarmos em estudar, aproveitar e especialmente aprender o que os já consagrados GIGANTES ofertarão ao nosso crescimento pessoal e profissional. É lógico que não será mamão com açúcar e eles muito menos nos deixarão ganhar de mão beijada ou na primeira largada só porque somos os novatos do pedaço. Não. Não é assim! Eles desejam sim nos passarem o bastão, mas na hora exata. Quando estivermos aptos verdadeiramente para conduzirmos o nosso império Nacional de pódios, compreende? Enfim… foi com a mente fincada nisso que a Delegação Acreana de Bocha não se privou em ampliar os horizontes mesmo não conseguindo trazer medalhas do Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica 2017.

                Era o nosso primeiro Campeonato Adulto Nacional. De certa maneira, nos deslocamos daqui até o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, nossa casa em São Paulo meio que conscientes que dentro de quadra poderíamos não se sobressair do jeito que queríamos e treinamos. Mas para a gente, estar ali, conhecer e disputar com os melhores do Brasil e idem do mundo já era uma baita vitória. Têm tantos querendo viver essa oportunidade e por algum motivo, principalmente o financeiro ainda não conseguiram. E nós estávamos sendo palpáveis por lá! Estávamos pertinho, conversando e explorando a fórmula certa com os nossos admiráveis ídolos que inúmeras vezes acompanhamos pela televisão. Sem dúvida alguma, essa foi uma das melhores experiências da minha vida. É incrível. Você é ensinado de outras incontáveis formas a ver que sempre é capaz de fazer, realizar mais, porque muitos possuem um grau de deficiência superior ao seu e aí, estão lá, se ACEITANDO, dizendo SIM aos nãos, mas também, assim como eu, encontram-se brigando muito com o seu próprio corpo para triunfar com amor pela bocha.

                Entretanto, embora tenham vindo muitos ombros amigos para nos apoiarem porque não alcançamos o almejado, eu cheguei a ouvir o seguinte: “- Não sei o porquê de tanta repercussão na mídia sobre este esporte paralímpico, você nem ganhou”. Bom… quem disse que nós da Delegação não ganhamos? Ganhamos sim! E muito! Apesar de não termos ido tão longe dentro de quadra e perdido ESSES jogos, fomos inspirados e nos deixamos ser inspiração para diversas partes do Brasil, além disso, regressamos bem mais vigorosos e determinados a superar tudo por esse amor que agora oficialmente é PROFISSIONAL. Porém, não vou dizer que é bom perder porque realmente não é! Quando você perde é como se caísse em ruínas tudo o que foi treinado, parece que mesmo sem querer tu jogas fora todo o trabalho do teu técnico contigo. É um fardo ruim e quase intolerável de carregar, sabe? Mas, o que quer que aconteça de daninho na sua vida pode ter a convicção que está vindo para contribuir, cooperar por algo mil vezes melhor, temos só que ser pacientes para deixar o tempo mostrar.

                Ah! E para quem acha que jogar bocha é simples ressalto que não é. E também se tivermos só a cara e coragem, e nenhuma ajuda para possuirmos um material de qualidade e uma estrutura oficial para treinarmos com seriedade o negócio não dá “rock”. Não vou mentir! Além do mais, não adianta o estado apenas bater palmas, tirar uma fotinha ou divulgar uma matéria das medalhas conquistadas, isso é, quando conseguimos trazer bons resultados, porque quando não nem isso tem. E agora, que finalmente nos encontramos inseridos no nível profissional não podemos perder o pico e muito menos regredir.  Por isso, os senhores, seus políticos têm a obrigação de parar de gastar dinheiro com coisas fúteis e de interesses próprios para empreender nas capacitações, investir nos materiais de ponta, nos oferecer uma infraestrutura adequada que ajude a trabalhar direito, etc. O que eu quero é que não só esse ano de eleição, mas o tempo todo vocês sejam inteligentes o bastante para lembrarem que os resultados extraordinários dependem do envolvimento de cada um, do início ao fim. E que se os que estão com a bunda na Câmera e Assembleia não se aluírem para nada já podem me passarem o cargo que eu faço muito mais. É sério!!! Enfim… eu, todos nós da Delegação Acreana de Bocha aprendemos que a vitória não tem nada a ver com tamanho ou coisa do tipo, mas sim com a importância que se dar, então mais do que nunca precisamos urgentemente que os que estão à frente do Acre se importem para nos possibilitar viver o esporte paralímpico com tudo o que há de melhor.

Por: Rita Andrade

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