Artefato deixado em Defensoria por bandidos é dinamite, confirma polícia

09.01.2017 13:10 Por Vanísia Nery

Dinamite passou por perícia e foi detonada, segundo polícia  (Foto: Quésia Melo/G1)
Dinamite passou por perícia e foi detonada, segundo polícia (Foto: Quésia Melo/G1)

A Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira (9) que o artefato encontrado na Defensoria Pública do Estado Acre, que teve a sede atacada por criminosos na madrugada do último sábado (7), era realmente uma banana de dinamite.

O delegado Sérgio Lopes diz que explosivo foi retirado do local pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (PM-AC), passou por perícia ainda no dia do ocorrido e foi detonado. A dinamite tinha cerca de 30 centímetros e um fio detonador vermelho chamado de carretel. No local também foram encontradas quatro cápsulas deflagradas de uma arma de calibre 9 mm.

“Já fizemos a perícia, mas ainda estamos aguardando alguns resultados para ter acesso a maiores detalhes. Ainda estamos apurando todas as informações do caso e ainda não temos nenhum suspeito”, diz o delegado.

Já a carta deixada no prédio com ameaças a patrimônios públicos e agentes de segurança não deve passar por perícia, segundo Lopes.

O delegado afirma que o procedimento é inviável devido à carta não ter sido escrita à mão e ter sido manuseada de maneira incorreta.

“Essa carta foi manuseada por muitas pessoas. Qualquer material que havia no papel, como digitais, e que poderia levar aos criminosos acabou sendo perdido”, afirma Lopes.

Os criminosos, segundo a Polícia Civil, teriam roubado um carro e amarrado o dono. Após isso, teriam ido para o prédio da Defensoria. O órgão estava em recesso e deveria retornar nesta segunda-feira (9), mas o atendimento foi suspenso e deve retornar na terça (10).

O defensor público-geral, Fernando de Souza, porém, alega que a suspensão dos serviços nada tem a ver com o ataque, mas sim com uma pane elétrica no prédio no fim de semana.Ele informou ainda que o prejuízo com o ataque custou pouco mais de R$ 5 mil, pois o órgão teve que substituir as portas.

“No fim de semana, houve oscilações em boa parte dos reatores e alguns equipamentos, inclusive, computadores foram danificados, o que impossibilitou o reinício das atividades, mas isso já está sendo corrigido”, garante.

Carta com ameaças
Após o ataque, uma carta foi deixada no prédio e nela constam ameaças a patrimônios públicos e agentes de segurança, além de exigências, que, segundo os autores, podem causar “prejuízos incalculáveis” ao estado caso não sejam cumpridas. O autor ainda não foi identificado e a carta não deve passar por perícia, segundo o delegado Sérgio Lopes, por ter sido manuseada incorretamente o que teria causado a perda de digitais ou outros materiais.

“Nois [sic] vamos expludir [sic] com bombas e dinamites, grandes surpermecados de renome dentro do estado, prédios públicos, pontes, passarelas”, diz um trecho do documento.

Em outro momento, os criminosos dizem que não haviam se manifestado anteriormente, mas, que ao adquirir estrutura suficiente para cumprir as ameaças, decidiram dar uma demonstração de força ao poder público.

“Que fique bem claro com todas as palavras [sic], que se nossas reivindicações e nossas exigências não foram atendidas ou compridas, pesso [sic] a vcs [sic] que não venham esperar atentados de pequenas proporções, pois assim como a polícia evolui, o crime também evoluiu”.

Exigências
Entre as exigências estão melhorias no sistema penitenciário, o que, segundo o autor, não seria regalia, mas garantia de direitos. Eles pedem atendimento médico semanal, odontológico, assistentes sociais e psicólogos. Eles exigem também a criação de postos de trabalho dentro dos presídios e escolas.

Além disso, os criminosos pedem que os presos do pavilhão A do Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde sejam transferidos para outras unidades. O objetivo seria evitar um novo episódio de violência, como a rebelião ocorrida em outubro do ano passado, quando quatro detentos morreram e 19 ficaram feridos.

Por fim, os presos se opõem à transferência de presos para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Na sexta-feira (6), o secretário de Segurança Pública, Emylson Farias, disse que ao menos 44 lideranças de facções criminosas haviam sido colocadas nesse regime, como uma das medidas para evitar novas rebeliões.

Fonte: G1 Acre

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