O que era nó vai virando laço

30.12.2018 17:43 Por REDAÇÃO ONLINE

            A cada ano, somos tomados por uma avalanche de nós, os quais pedem piamente para se tornarem laços. Pois, de certo os laços são mais bonitos. Eles não prendem, não apertam, não sufocam. E é assim, observando por esse ângulo que relembro dos inúmeros nós que briguei para serem laços em 2018.

            Acho que além dos nós pequenos como a escrita e o curso de Letras, eu tive que desamarrar e aprender a fazer laços em outros três grandes nós ao longo desses doze meses. O primeiro dependia de uma decisão: sair da APAE. A Instituição me acolheu em 2013. Através dela conheci a bocha paralímpica e o tão belo balé. Mas com o passar dos anos ela foi dando prioridade a outras coisas e eu senti a verdadeira necessidade de me desvincular dela para crescer em outros sonhos, como na bocha, por exemplo.

No entanto, para ser grande nesse esporte eu precisava de muitas ajudas e enfim, encontrei pessoas incríveis como o Onassis e o seu Gomes. Um é professor de Educação Física que em uma quadra cedida gentilmente pela Craveiro Costa me treinava junto com os alunos que usam cadeira de rodas e o pessoal que faz a inclusão acontecer na Escola. O outro gerencia a F10 Fenômeno Academia, uma Escola de futebol, que tem uma ala paralímpica que agora eu também faço parte.

Com isso, durante esse ano eles, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul, a Clínica Vitalle, a Associação Paradesportiva Acreana, a minha família (principalmente o meu tio Eden) e outros fundamentais patrocinadores conseguiram me dar todo um suporte para meu aperfeiçoamento como atleta e disseminadora da bocha na cidade. E, por isso, espero que esses elos somente cresçam, pois tais ajudas e apoios foram e sempre vão ser essenciais para a minha evolução em cada Campeonato.

Um outro nó que já me tirava o sono há quatro anos era a questão da Universidade Federal do Acre não disponibilizar cadeiras de rodas para mim e os outros alunos que precisam. Sendo assim, desde quando passei a frequentar o meio universitário até meados de outubro de 2018 eu utilizava uma cadeira de rodas emprestada da Escola de Ensino Médio Dom Henrique Ruth para que de fato pudesse ter acesso ao Ensino Superior. Entretanto, quem me conhece sabe que eu não sou nada fácil quando tenho objetivos. Eu brigo, não me canso e insisto até conseguir. Foi assim que eu fiz a partir do momento em que entrei na Universidade e comecei a pedir essas cadeiras. Eu ia lá, batia na mesma tecla quase que diariamente. Escrevia e entregava vários ofícios.

Não deixava a Coordenação de Letras Português, o NAI, a Subprefeitura e nem a Reitoria da Universidade em paz (kk). E, enfim, na terceira semana de outubro do meu último ano no curso de Letras o meu maior pedido foi atendido pela Universidade. Pedido que virou legado e me fez chorar, pois através da atenção que a Instituição deu para a minha reivindicação agora têm três cadeiras de rodas bonitinhas só esperando pelos próximos acadêmicos que necessitarão delas (privilégio que eu não tive e vocês terão DESDE O INÍCIO, então deem valor, por favor!).

            No entanto, a partida eterna do meu PAI avô foi o terceiro nó mais dolorido e difícil de ser dado um laço. Foi ele que junto com minha MÃE avó me fez ser luz entre os homens e quando seu Criador o chamou para mais perto dEle a gente não entendeu bem o porquê. Mas… nem por isso brigamos com Deus porque Ele o levou. Aprendi que ninguém pode ser tão egoísta ao ponto de não aceitar a partida de alguém. É necessário deixarmos que as pessoas que amamos possam seguir em paz para a vida eterna. E, além disso, só tenho que possuir gratidão pelos maravilhosos anos que vovô foi meu anjo palpável antes de virar o anjo, o qual agora respira mediante a tantos outros corações.

            E isso foi um pouquinho do meu ano. É claro que além desses, existiram incontáveis outros nós (os contarei fragmentados nos próximos textos) que fui desatando na medida que Deus me mandava sabedoria e coragem. Enfim… às vezes, só carecemos viver um nó de cada vez para compreendermos o significado dele, o porquê que ele surgiu para gente. E é essa reflexão que deixo nessas últimas horas de 2018. Que em 2019 vocês consigam se entregar de forma inteira a todo nó para poderem desvendar o melhor jeito de criarem laços.

Por Ritinha Andrade

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