Dona de 43 medalhas em olimpíadas estudantis, brasileira pensa no Enem e na Fuvest, mas sonha com vaga nos EUA

18.10.2017 15:50 Por Redação Juruá Online

 Miriam durante a visita do Observatório Cerro Paranal, no Chile  (Foto: Arquivo pessoal )

Miriam durante a visita do Observatório Cerro Paranal, no Chile (Foto: Arquivo pessoal )

Dona de uma coleção de 43 medalhas conquistadas em competições de matemática, física, química, robótica e astronomia, Miriam Harumi Koga, de 17 anos, agora se concentra para finalizar o ensino médio e entrar na faculdade. O foco são as universidades norte-americanas, de preferência MIT ou Stanford.

Miriam era a única garota do time brasileiro que esteve na 9ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (IX OLAA), realizada entre 8 e 14 de outubro na cidade de Antofagasta, no Chile. Foi lá que ela garantiu mais uma medalha de ouro, a primeira em disputas internacionais.

Ela está terminando o terceiro ano do ensino médio no Colégio Mater Amabilis, em Guarulhos, na Grande São Paulo e faz o application [processo de seleção] para nove universidades americanas. Também fará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular da Fuvest para o curso de engenharia de materiais.

A estudante gostaria de reunir astronomia à engenharia, mas se não conseguir mesclar as duas áreas de conhecimento, vai continuar levando o estudo dos corpos celestes, como um “hobby que gosta muito.” A prioridade será engenharia.

A paixão pelas ciências exatas começou cedo e foi incentivada pelo pai engenheiro. Ainda na infância, no 4º ano do ensino fundamental, participou de sua primeira competição de astronomia.

“Eu sempre gostei muito de exatas e da curiosidade das ciências, também gosto de desafios”

Miriam no topo de uma montanha no deserto do Atacama (Foto: Arquivo pessoal)
Miriam no topo de uma montanha no deserto do Atacama (Foto: Arquivo pessoal)

Chile

Na viagem ao Chile, “a melhor de sua vida”, como define, Miriam conheceu o Deserto do Atacama, observatórios, também participou de atividades de integração com um grupo de 48 alunos de 11 países.

A competição consistia em quatro provas: uma teórica individual, outra em grupo, e uma observação individual via telescópio onde era preciso identificar constelações, nebulosas e galáxias. A última prova era uma competição de lançamento de foguetes fabricados por garrafas pet. A pontuação variava de acordo com a distância alcançada pelos objetos. A equipe do Brasil conseguiu lançar foguetes a 120 metros de distância.

Brasil conquista quatro medalhas de ouro em olimpíada de astronomia e astronáutica no Chil

Miriam ganhou medalha de ouro pela média de desempenho na quatro provas. Também conquistou o prêmio de melhor companheira de viagem, uma brincadeira tradicional da olimpíada em que para se eleger o “campeão” todos os participantes votam secretamente.

“Fui pensando em dar o meu melhor, mas não pensava em uma medalha de ouro para não me sentir muito pressionada. Na hora da premiação, fui a última pessoa a ser chamada na categoria ouro”, afirma.

O resultado não foi à toa. A garota teve aulas de astronomia do 8º ao 2º ano do ensino médio. Agora em 2017 passou estudando sozinha, religiosamente, por 9 horas todos os domingos.

“Valeu a pena. Mas teve dia que estudei por 12 horas, fiquei doente e não recomendo chegar a este ponto. Eu tive de desistir de muitas atividades [ela também toca piano e joga handebol], largar as olimpíadas de outras disciplinas para focar só em astronomia. Faço redações toda a semana, e simulados aos sábados, fora as aulas do colégio.”

A mãe de Miriam é pediatra, por isso ela cogitou estudar medicina, mas desistiu por achar que não tem “psicológico” para a profissão. Seus dois irmãos mais novos também enveredaram para as exatas, assim como o pai. André, de 15 anos, já participou de duas olimpíadas internacionais de matemática, em Portugal e na Argentina. O mais novo, Erick, de 8 anos, também deve seguir os mesmos passos.

Miriam é apaixonada por astronomia desde criança (Foto: Colégio Mater Amabilis Guarulhos SP/ Divulgação)
Miriam é apaixonada por astronomia desde criança (Foto: Colégio Mater Amabilis Guarulhos SP/ Divulgação)
Brasileiros na OLAA - da direita para esquerda - Henrique, Fernando, Miriam, Danilo e Bruno (Foto: Divulgação)

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