Enem 2017: por que Drummond é o mais cobrado no exame? Veja top 10 autores e os que são tendência 

19.10.2017 12:31 Por Redação Juruá Online

RJ. 13/09/1984. O poeta Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro. (Foto: Jorge Cysne/Agência O Dia/Estadão Conteúdo/Arquivo)
RJ. 13/09/1984. O poeta Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro. (Foto: Jorge Cysne/Agência O Dia/Estadão Conteúdo/Arquivo)

O mineiro Carlos Drummond de Andrade é o campeão de citações dentro da prova de Linguagens desde que o Enem foi aplicada pela primeira vez em 1998. De acordo com levantamento do Sistema Ari de Sá (SAS), entre os 10 escritores mais citados, sete são poetas e três prosadores. Veja abaixo:

  1. Carlos Drummond de Andrade – 18
  2. Manuel Bandeira – 6 vezes
  3. Machado de Assis – 6 vezes
  4. Mario de Andrade – 6 vezes
  5. Ferreira Gullar – 5 vezes
  6. João Cabral de Melo Neto – 5 vezes
  7. Oswald de Andrade – 4 vezes
  8. Vinicius de Moraes – 4 vezes
  9. Luís Fernando Veríssimo – 4 vezes
  10. Álvares de Azevedo – 3 vezes
  11. Rubem Braga – 3 vezes

A lista tem dois nomes que são identificados com os contos: Luís Fernando Veríssimo e Rubem Braga. Outro prosador na lista é Machado de Assis, que tem produção em praticamente todos os gêneros e é consenso como o maior dos escritores brasileiros.

O QUE EXPLICA DRUMMOND EM 1º?

O professor João Filho, do SAS, lembra a lista dos 10 mais citados tem 9 escritores modernistas, sendo apenas Machado a exceção. Entre todos os citados, Drummond tem destaque por vários motivos, entre eles a diversidade de temas da sua obra, estilo e volume da produção. “Ele é a síntese a poesia modernista, tem linguagem acessível, embora os temas não sejam tão acessíveis assim”, afirma o professor.

Ele lembra que Drummond fala de Itabira e sua identidade, aborda questões sociais, filosóficas e até sobre a própria poesia. As 18 citações do poeta no Enem foram contabilizadas apenas na prova de Linguagens. Mas o número seria maior se fosse considerada outras áreas, já que o mineiro foi usado até mesmo na prova da Ciências da Natureza em questão sobre o impacto da mineração. “Só não vi, ainda, na prova de matemática”, diz Filho.

Para o professor, a preferência pelos modernistas é justificada pela visão que o Enem tem da literatura brasileira. “(A literatura modernista) reflete os anseios da multiculturalidade brasileira. Do parnasianismo para trás, o que se faz de literatura é cópia do que se produz na Europa”, avalia.

O FUTURO PERTENCE AOS MARGINAIS

A tendência, na análise do professor do SAS, é que a poesia marginal da década de 1970 esteja cada vez mais presente na prova. Nomes como Paulo Leminsk, Ana Cristina César e Chacal estão entre os poetas da chamada “geração mimeógrafo”.

“Eles estão sendo revistos”, diz Filho. O professor conta que a literatura típica dessa geração é extremamente atual, com senso crítico mordaz e linguagem direta.

Carlos Drummond de Andrade revela seus gostos e fala de Itabira
Carlos Drummond de Andrade revela seus gostos e fala de Itabira

“É perigoso quando o louco sobe ao poder. Aí é meio desagradável. Quando ele é eleito governador, ministro, presidente da República. Presidente da República então, é um caso sério. Nós já tivemos exemplo disso” – Carlos Drummoond de Andrade.

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