‘O homem correu atrás de nós cheio de fogo’; veja relatos de sobreviventes da tragédia em Janaúba

06.10.2017 16:01 Por Redação Juruá Online

Rosângela passou a noite no hospital com a filha de 4 anos, Maria Rita Barbosa, que estuda na creche gente Inocente (Foto: Juliana Peixoto/G1)
Rosângela passou a noite no hospital com a filha de 4 anos, Maria Rita Barbosa, que estuda na creche gente Inocente (Foto: Juliana Peixoto/G1)

“Eu cheguei e encontrei ela sufucando, o fogo já estava apagado, também fiquei sufocada procurando ela, e encontrei ela no cantinho”, disse Rosângela Souza Barbosa, de 38 anos, mãe de Maria Rita Barbosa Souza, de 5 anos.

A menina é uma das sobreviventes da tragédia que matou cinco crianças e uma professora de uma creche em Janaúba (MG), na quinta-feira (5). O vigia do local ateou fogo nas crianças e depois nele mesmo. Damião Soares dos Santos, de 50 anos, morreu no hospital, cinco horas após cometer o crime.

A empregada doméstica Andrea Rodrigues Monção, de 33 anos, conta que o filho está na creche há seis meses. Kaio Phierre dos Santos, de 2 anos e 11 meses, estava na sala do maternal e também sobreviveu ao ataque do vigia. “Eu estava no serviço, quando me ligaram e disseram ‘corre, Andréa, que só tem menino morto no chão'”, disse a mãe de Kaio.

Ela conta que chegou no local e viu o filho sentado no chão, chorando. “Ele me abraçou e disse ‘desculpa mãe, desculpa mãe, o homem correu atrás de nós cheio de fogo’.”

Kaio, de 2 anos e 11 meses, dorme com a mãe, após sobreviver à tragéia (Foto: Juliana Peixoto/G1)
Kaio, de 2 anos e 11 meses, dorme com a mãe, após sobreviver à tragéia (Foto: Juliana Peixoto/G1)

Weberty Kaique dos Anjos Dias, de 3 anos, e Ítalo Raique dos Anjos Dias, de 1 ano e 11 meses, são irmãos e estavam no bercário da creche no momento do ataque. Eles foram socorridos, mas na madrugada desta sexta-feira (6) precisaram voltar ao hospital, por terem inalado fumaça tóxica. A mãe deles, Patrícia Dias de Oliveira, de 22 anos, está grávida de oito meses e conta como recebeu a notícia.

“Eu estava em casa, meu marido estava trabalhando. Cheguei e já vi meus filhos assustados. Hoje sinto um alívio no coração por eles, mas uma tristeza pelos outros pais. É uma ferida que nunca vai passar”.

Weberty e Ítalo fazem inalaram fumaça tôxica e precisaram fazer inalação (Foto: Juliana Peixoto/G1)
Weberty e Ítalo fazem inalaram fumaça tôxica e precisaram fazer inalação (Foto: Juliana Peixoto/G1)

Eliane Ramos Dias é mãe de Murilo, de 3 anos. Ele também está em observação por ter inalado fumaça tóxica. “Voltei com ele para o hospital porque ele estava muito sonolento e com os batimentos cardíacos baixos. Eu não sei quem tirou ele da creche, só sei que ele estava muito assustado, chorando. Foi desesperador. Mas só tenho a agradecer a Deus por ele estar, mas ao mesmo tempo muito triste pelos coleguinhas”, disse.

Murilo está em observação após inalar fumaça (Foto: Juliana Peixoto/G1)
Murilo está em observação após inalar fumaça (Foto: Juliana Peixoto/G1)

Feridos

Outras crianças e funcionários da creche ficaram feridos no ataque. Nesta sexta-feira (6), 43 pessoas seguiam internadas em hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. Entre os feridos que seguem em hospital, 39 são crianças.

Duas funcionárias da creche, que estão em estado grave, foram transferidas de helicóptero de Janaúba para Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (6). Além delas, 11 crianças estão internadas na capital mineira.

O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, também recebeu na madrugada mais quatro crianças feridas. A unidade é referência no estado em tratamento de queimaduras.

Fonte:G1

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