Alemã do Estado Islâmico é julgada por deixar menina yazidi morrer de sede

09.04.2019 16:58 Por REDAÇÃO ONLINE

Jennifer W., de 27 anos, e o marido compraram a menina de cinco anos e sua mãe para serem suas escravas. Ela foi colocada de castigo no sol por ter molhado o seu colchão.

Por G1


Alemã Jennifer W (com o rosto coberto) é acusada de deixar uma menina Yazidi morrer de sede ao sol. Julgamento dela é começou nesta terça-feira (9) em Munique, na Alemanha  — Foto: Peter Kneffel / dpa / AFP

Alemã Jennifer W (com o rosto coberto) é acusada de deixar uma menina Yazidi morrer de sede ao sol. Julgamento dela é começou nesta terça-feira (9) em Munique, na Alemanha — Foto: Peter Kneffel / dpa / AFP

O julgamento de uma alemã do Estado Islâmico acusada de crimes de guerra e de assassinato por deixar uma menina yazidi morrer de sede começou nesta terça-feira (9) em Munique, na Alemanha.

As advogadas anglo-libanesa Amal Clooney e a prêmio Nobel da Paz Nadia Murad integram a equipe que representa a mãe da vítima, mas não acompanham a audiência.

Elas consideram este julgamento como “o primeiro no mundo pelos crimes cometidos pelo Estado Islâmico contra os yazidis”. A minoria religiosa é perseguida e submetida no Iraque pelos jihadistas desde 2014. De acordo com a ONU, o grupo foi vítima de genocídio.

A fé yazidi possui elementos de cristianismo, zoroastrismo e islamismo. Os militantes do Estado Islâmico consideram-nos adoradores do diabo. A maior parte dessa população permanece abrigada na região autônoma do Curdistão, no Iraque.

A acusada, Jennifer W., de 27 anos, pode ser condenada à prisão perpétua. Ela deixou o seu país para se unir ao grupo terrorista em setembro de 2014, segundo a acusação.

Entre junho e setembro de 2015, patrulhava, armada e equipada com um colete cheio de explosivos, para a polícia moral nas cidades iraquianas Fallujah e Mossul. A função dessa polícia era velar pelo respeito das regras de trânsito e da vestimenta fixadas pela organização terrorista, segundo a France Presse.

Amal Alamuddin participa de conferência em Londres, em imagem de 2012 — Foto: AFP PHOTO/JOE KLAMAR/JUSTIN TALLIS

Amal Alamuddin participa de conferência em Londres, em imagem de 2012 — Foto: AFP PHOTO/JOE KLAMAR/JUSTIN TALLIS

Presa graças ao FBI

Nessa mesma época, ela e seu marido compraram a menina de cinco anos e sua mãe, ambas da minoria yazidi, para explorá-las como escravas, segundo a acusação.

“Um dia que a criança estava doente, molhou seu colchão. O marido da acusada a castigou, prendendo-a sob um sol a pino, deixando-a morrer de sede de maneira atroz. A acusada deixou seu marido fazer isso e não fez nada para salvar a menina”, explicou a Procuradoria em um comunicado.

Para o advogado da defesa, Ali Aydin, interrogado pelo jornal “Der Spiegel”, “a questão é, na realidade, saber se minha cliente teria podido fazer algo”.

De acordo com a imprensa alemã, Nora B., a mãe da vítima que vive refugiada na Alemanha, disse aos investigadores que a acusada interveio apenas quando já era tarde demais. Desidratada, a menina morreu.

Jennifer W. foi detida pelos serviços de segurança turcos em janeiro de 2016 em Ancara, enquanto cuidava da sua documentação na embaixada da Alemanha. Alguns dias depois foi extraditada para seu país de origem.

Em junho de 2018, foi colocada em detenção provisória após ser detida quando tentava chegar a territórios controlados pelo Estado Islâmico na Síria.

Segundo “Der Spiegel”, foi durante esta última tentativa de chegar à Síria que a mulher contou sua vida ao motorista que a conduzia no Iraque e falou sobre a morte da menina yazidi.

O motorista era um informante do FBI e o carro estava repleto de microfones. A Procuradoria usou essas gravações para processá-la.

‘Excessivo, mesmo para o EI’

Mossul — Foto: Felipe Dana/AP Photo

Mossul — Foto: Felipe Dana/AP Photo

Em um comunicado conjunto, os advogados alemães da parte civil, Clooney e Murad, ex-escrava sexual do Estado Islâmico, reivindicam que Jennifer W. seja condenada por crimes contra a humanidade, tráfico de seres humanos e tortura.

As duas mulheres, que não estão em Munique nesta terça, lideram uma campanha internacional para fazer reconhecer os crimes contra os yazidis como genocídio.

“Este caso é importante para todos os sobreviventes yazidis. Cada sobrevivente com quem pude me reunir espera o mesmo: que os culpados sejam julgados (…) Este é, portanto, um grande momento para mim, para toda a comunidade yazidi”, destacou Nadia Murad.

Nadia Murad, yazidi que conseguiu escapar de cativeiro do grupo Estado Islâmico, venceu Nobel da Paz 2018 — Foto: Julian Stratenschulte / dpa / AFP

Nadia Murad, yazidi que conseguiu escapar de cativeiro do grupo Estado Islâmico, venceu Nobel da Paz 2018 — Foto: Julian Stratenschulte / dpa / AFP

Na gravação do que disse Jennifer W., a mulher, segundo “Der Spiegel”, parece consciente da gravidade dos maus-tratos infligidos à menina. “Era excessivo, mesmo para o EI”, teria dito. De acordo com a revista, o grupo Estado Islâmico castigou fisicamente o marido da mulher por isso.

O jornal “Süddeutsche Zeitung” noticiou que o homem, identificado como Taha Sabah Noori Al-J., estaria na zona fronteiriça turco-iraquiana.

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