Overdoses fatais caem nos EUA pela primeira vez em décadas

18.07.2019 13:25 Por REDAÇÃO ONLINE

Cifra estimada de mortos caiu para 68.557 em 2018, em comparação com 72.224 no ano anterior, segundo dados publicados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Por France Presse


As overdoses fatais diminuíram 5,1% em 2018 nos Estados Unidos — Foto: Divulgação

As overdoses fatais diminuíram 5,1% em 2018 nos Estados Unidos — Foto: Divulgação

Pela primeira em duas décadas, o número de mortes decorrentes de overdose caiu nos Estados Unidos. As overdoses fatais diminuíram 5,1% em 2018 no país, segundo dados oficiais preliminares publicados nesta quarta-feira (17) pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Um dos motivos para a queda é uma importante diminuição nas mortes relacionadas com o consumo de analgésicos com receita.

“Os últimos dados provisórios sobre mortes por overdose mostram que os esforços dos Estados Unidos para frear o uso de opioides e o vício estão funcionando”, disse o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar.

No entanto, ele advertiu que a epidemia não se solucionará da noite para o dia.

A cifra estimada de mortos caiu para 68.557 em 2018, em comparação com 72.224 no ano anterior, segundo os dados do CDC.

Mas o número continua sendo muito mais alto que em 1999, quando foram registradas 16.849 mortes, uma cifra que não parou de crescer ano após ano até 2017, com um aumento considerável entre 2014 e 2017.

O comércio e marketing do OxyContin gerou um aumento nas prescrições de opióides nos Estados Unidos e pode estar na origem da epidemia de dependência — Foto: Reuters

O comércio e marketing do OxyContin gerou um aumento nas prescrições de opióides nos Estados Unidos e pode estar na origem da epidemia de dependência — Foto: Reuters

Opioides naturais, semissintéticos e sintéticos

As mortes atribuídas a opioides naturais e semissintéticos – como morfina, codeína, oxicodona, hidrocodona, hidromorfona e oximorfona –, que são receitados como analgésicos, reduziram de 14.926 para 12.757 (14,5%).

Esta foi a queda mais significativa entre todas as categorias. Por outro lado, as mortes relacionadas com os opioides sintéticos – como tramadol e fentanil -, com exceção da metadona, continuaram aumentando consideravelmente e as mortes por cocaína também aumentaram ligeiramente.

A epidemia de opioides está enraizada nos Estados Unidos e é consequência de décadas de prescrição excessiva de analgésicos que causam dependência.

A crise causou cerca de 400.000 mortes por opioides receitados ou ilícitos, e inclui algumas vítimas de grande repercussão midiática, como o ícone pop Prince e o roqueiro Tom Petty.

Mas há alguns sinais de que a maré está começando a mudar, já que as autoridades federais e estatais começaram a enfrentar gigantes da droga nos tribunais por supostos subornos aos médicos para que receitassem seus medicamentos ou por uma comercialização enganosa que minimiza os riscos da dependência química.

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