Procurador turco pede a prisão de pessoas próximas ao príncipe saudita no caso Khashoggi

05.12.2018 11:29 Por REDAÇÃO ONLINE

Montagem com fotos do jornalista Jamal Khashoggi e o príncipe Mohammed bin Salman — Foto:  Mohammed al-Shaikh/AFP; Bandar Algaloud/Media Office Of Mohammed Bin Salman/AFP

Montagem com fotos do jornalista Jamal Khashoggi e o príncipe Mohammed bin Salman — Foto: Mohammed al-Shaikh/AFP; Bandar Algaloud/Media Office Of Mohammed Bin Salman/AFP

O procurador-geral de Istambul pediu nesta quarta-feira (5) a detenção de duas pessoas próximas ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, no caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi no consulado saudita na cidade.

De acordo com um documento transmitido pela Procuradoria ao tribunal, o gabinete do procurador-geral de Istambul solicitou mandatos de detenção contra Ahmed al Assiri, ex-vice-chefe de Inteligência, e Saud al Qahtani, ex-conselheiro da corte real. Os documentos citam “fortes suspeitas” de que eles estiveram envolvidos no planejamento do assassinato de Khashoggi.

Khashoggi, colaborar do jornal “The Washington Post”, foi assassinado em 2 de outubro dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia. Investigações dizem que o jornalista, que tinha cidadania norte-americana, foi torturado, morto e esquartejado dentro da repartição.

Nesta quarta, a chefe de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, disse que seria necessária uma investigação internacional sobre o caso, que classificou de “horrível assassinato”.

EUA

Após a diretora da CIA, Gina Haspel, divulgar um relatório sobre o caso aos senadores americanos, eles declararam na terça-feira (4) acreditar que Mohammed bin Salman seja culpado da morte de Khashoggi.

A acusação contra a monarquia saudita partiu inclusive de dentro do Partido Republicano, o mesmo do presidente Donald Trump – que decidiu manter relação “firme” com o antigo aliado no Oriente Médio. O senador republicano Lindsey Graham declarou que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita é “cúmplice no assassinato” de Khashoggi.

Graham declarou que a Arábia Saudita é uma aliada estratégica e que o relacionamento com o país “merece salvação, mas não a todos os custos”.

“Eu não consigo vê-lo [bin Salman] como um parceiro confiável para os Estados Unidos. […] Se o governo saudita ficar nas mãos desse homem por um bom tempo, eu acho muito difícil sermos capazes de fazer negócios. Eu acho ele louco, eu acho ele perigoso, e ele está colocando a relação [dos dois países] em risco”, afirmou Graham.

Democratas também acusam príncipe

Senadores da oposição também demonstraram credibilidade no relatório da CIA que acusa bin Salman. Bob Menendez, líder do Partido Democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse estar “convencido” de que os EUA devem tomar alguma atitude contra o regime saudita, incluindo o posicionamento em relação ao conflito no Iêmen.

“Antes do relatório, eu estava convencido de que os EUA deveriam tomar atitudes contra a guerra no Iêmen e contra os sauditas. Eu apenas solidifiquei minhas opiniões depois desse relatório”, disse o senador, que espera que o Senado aja para “mandar uma mensagem forte e inequívoca” nos dois casos.

Menendez mencionou o conflito no Iêmen porque a Arábia Saudita – país vizinho – está envolvida na guerra ao apoiar o governo iemenita contra os rebeldes houtis. Parte da pressão internacional sobre a atuação do regime de Salman no combate se intensificou após a morte de Khashoggi.

Fonte: G1

Notícias Recomendadas

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site ou de seus editores.