Estudantes e professores ocupam escola fechada por Alckmin. Ação da polícia causou tumulto

11.11.2015 10:39 Por jornalismo

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Alunos mantêm ocupação de escola em Pinheiros na manhã desta quarta (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)

Professores e alunos da rede estadual paulista, de diversos municípios do estado, marcharam ontem (11) do estádio do Morumbi até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, em protesto contra o fechamento de pelo menos 94 escolas pelo plano de reorganização escolar do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Em palavras de ordem, os manifestantes prometiam ocupar as instituições e resistir à medida. O próximo ato será dia 27, no vão livre do Masp, na avenida Paulista.

Pelo menos duas escolas estaduais que estão para ser fechadas foram ocupadas por estudantes e professores: a Fernão Dias, em Pinheiros, e a Escola Estadual Diadema, localizada no município de mesmo nome. Os manifestantes prometem ficar no local até que o governo do estado reveja a decisão. “Sofremos com muita pressão e intimidação da Polícia Militar para deixarmos o local, mas não voltamos atrás. Estamos nos revezando e fazendo vigílias para impedir o fechamento da escola”, disse um dos professores envolvidos na ocupação da Escola Diadema Antonio Jovem.

Durante o ato, um grupo de pelo menos 30 militantes do movimento sem-teto acampou em frente ao Palácio dos Bandeirantes, onde permanece até agora, em protesto contra o fechamento das instituições de ensino e exigindo a entrega de 10 mil habitações populares prometidas pelo governo estadual.

O governo Alckmin justificou o fechamento das escolas dizendo que vai reunir apenas alunos do mesmo ciclo – fundamental I e II e médio – nas escolas e com isso melhorar a qualidade do ensino. Professores e estudantes temem que as mudanças levem à superlotação de salas, demissão de docentes e à redução de salário decorrente da redução de jornada. Além disso, a Apeoesp acredita que o número de escolas a serem fechadas será muito maior.

 

São Paulo tem hoje 5.108 escolas, das quais 1.443 são de ciclo único, outras 3.186 mantêm dois ciclos e 479 escolas têm três ciclos. Essas últimas devem ser transformadas em escolas de ciclo único, assim como grande parte das de dois ciclos. Só neste ano, pelo menos 3.390 salas de aula foram fechadas no estado de São Paulo. Muitas escolas iniciaram o ano letivo com até 60 estudantes por classe, em turmas do ensino regular, e até cem estudantes por classe em turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo a Apeoesp.

No último dia 15, depois de uma série de mobilizações estudantis, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública de São Paulo cobraram explicações do governo sobre o projeto da suposta “reorganização” do ensino. Os processos estão em andamento.

Ação da PM causa tumulto

Policiais militares utilizaram spray de pimenta na manhã desta quarta-feira (11) para conter um tumulto envolvendo estudantes que protestam contra a chamada “reorganização escolar” em São Paulo. A confusão aconteceu na Rua Antônio Bicudo, em Pinheiros, nos fundos da Escola Estadual Fernão Dias Paes. A instituição está ocupada há mais de 24 horas por alunos contrários à reforma do ensino e a Procuradoria Geral do Estado afirmou que vai entrar na Justiça para retirar os alunos da escola.

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Manifestante é levado pelo braço por policial durante ocupação de escola (Foto: Will Soares/ G1)

A reforma vai fechar 94 escolas e restruturar várias outras para unidades de ciclo único (apenas 1º ao 5º anos, 6º ao 9º anos ou ensino médio). Hoje, a escola Fernão Dias Paes tem turmas do ensino fundamental dos anos finais (6º ao 9º ano) e do ensino médio. Em 2016, com a reorganização do ensino, a escola passará a ter apenas o ensino médio. Os alunos do ensino fundamental serão transferidos, segundo a Secretaria da Educação.

A confusão na manhã desta quarta começou após um grupo de manifestantes subir a rua para se juntar ao outros jovens que fazem vigília no portão de entrada do colégio, na Avenida Pedroso de Morais. A Polícia Militar havia acabado de isolar a área.

Houve bate-boca e um dos manifestantes foi retirado pelo braço por um dos policias e levado para uma área mais isolada, fora do tumulto. O PM afirmou aos gritos que só queria conversar com o rapaz, mas a atitude revoltou os demais manifestantes e um tumulto teve início.

Fontes: G1 e Rede Brasil Atual

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