Gás e Petroléo: ‘Os principais afetados seríamos todos nós’, diz procurador

27.10.2015 16:45 Por jornalismo

Thiago
O Procurador do MPF Thiago Correia

Em sua ação, o procurador federal do MPF Thiago Pinheiro Correia desmitifica a ideia de que somente as populações indígenas e ribeirinhos seriam afetadas por uma eventual exploração de petróleo e gás na região.

A técnica de exploração de gás de folhelho (gás de xisto) através do (“fracking”- fratura hidráulica) pode provocar danos irreversíveis como a contaminação de água, do ar, além da fragilização do solo rochoso, o que poderia levar até à ocorrência de abalos sísmicos na região.

Perguntado se os principais afetados com a exploração seriam os indígenas e ribeirinhos, o procurador foi categórico: “os principais afetados seríamos todos nós”.

Andre
André Machado Isga, do CIMI

O Conselho Indigenista Missionário, CIMI, opôs-se desde o início à proposta de exploração de petróleo no Juruá. André Isga, representante do CIMI no Juruá, comemorou a decisão: “o que afeta aos povos indígenas afeta a todos nós. O MPF prestou um grande serviço à população do Acre, do Brasil e do Mundo.”

“Há a possibilidade de contaminação de águas subterrâneas, do ar, e a fragilização do solo rochoso, o que poderia levar até mesmo à ocorrência de abalos sísmicos na região. Por esta razão, em nome dos princípios do direito ambiental, esta técnica não pode ser usada enquanto não houverem estudos aprofundados sobre a viabilidade da extração do gás.”, disse o procurador Thiago Correia

O “fracking” consiste em injetar água através de uma sonda sob altíssima pressão na rocha do subsolo abaixo do lençol freático provocando microfraturas na rocha para exploração do gás. Para a técnica são utilizados cerca de 15 mil litros de água potável e mais de 600 produtos químicos, cuja composição é protegida por patentes.

Por que “Fracking”?

O governador do Acre, Tião Viana, um dos principais entusiastas da exploração de gás e petróleo na região do Juruá, defende que a exploração teria todos os cuidados para evitar danos ao meio ambiente e argumenta em favor do crescimento econômico e da geração de empregos.

Embora o próprio governador negue que a técnica do fracking venha a ser utilizada na região, ativistas das causas indígenas e ambientais argumentam que a licitação para exploração de gás e petróleo não delimita o tipo de técnica que seria utilizada e que o ‘fracking’ por ser uma técnica bastante lucrativa seria portanto, um forte candidato.

Segundo André, do CIMI, a ANP não foi clara em sua resposta sobre se usaria ou não o ‘fracking’ no Juruá.

No Brasil, a técnica de fracking, passa por uma espécie de ‘moratória’, depois dos episódios de Toledo-PR e no Piauí em que movimentações populares conseguiram brecar provisoriamente o ‘fracking’.

Agronegócio também pode ser afetado

“Identificamos que em outras partes do mundo, o uso desta técnica causou danos irreversíveis.”, explica o procurador.

André, do CIMI, cita casos como o do campo de Vaca Muerta, na Patagônia, Argentina. “Era uma região rica na produção de uvas, vinhos e maçãs, mas a contaminação causadas pelo ‘fracking’ levou a Europa a suspender a importação destes produtos, causando danos aos grandes produtores e desemprego na região.”

“Além da possibilidade de contaminação das águas o solo também poderia ser afetado prejudicando a agricultora de subsistência. O povo da região eventualmente poderia de uma vez só ficar privado da agricultura e do abastecimento de água.”, conclui.

Alexandre Gomes

Leandro Altheman

Juruá On Line

 

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