Primeira árbitra do mundo teve ajuda do governo militar para poder apitar

25.05.2019 0:05 Por videos


Imagem do Museu do Impedimento de Léa Campos


Lea Campos fez um curso de arbitragem na Federação Mineira de Futebol em 1965. Foram oito meses de aprendizado. Conseguiu passar em todos os testes: o escrito e o físico, sem nenhum problema. No entanto, na véspera de receber seu diploma, teve a notícia de que a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) havia vetado sua diplomação. Ela poderia ser a primeira mulher a se tornar árbitra profissional no planeta. Mas não aconteceu. “Conversei com o presidente da Federação na época. Ele me informou que o (João) Havelange disse que não poderia me tornar árbitra porque a Constituição Brasileira proibia. A Lei não permitia que mulheres jogassem alguns esportes, mas não mencionava apitar futebol. E era isso que queria”. Lea passou quatro anos tentando a liberação de seu registro. “Na época, o Havelange me disse: ‘Enquanto eu for o presidente da CBD, nenhuma mulher joga, apita, bandera, dirige, não faz nada dentro do futebol, porque eu não quero'”

Mesmo assim, não desistiu. Conseguiu uma entrevista com o então presidente do Brasil, o general Emílio Garrastazu Médici. “Ele fez um bilhete de próprio punho para que o Havelange liberasse o meu diploma, que era um direito que eu havia adquirido”. Durante um evento de despedida de Pelé da seleção brasileira, em 1971, ela brigou até conseguir entregar a carta em mãos para presidente da CBD. Quando conseguiu, Havelange anunciou, em coletiva de imprensa, a oficialização da primeira árbitra de futebol feminino do mundo, como fruto de sua gestão. Era o reconhecimento da luta de Lea Campos. Mas só gerou irritação. “Ele me prejudicou por quatro anos e acabou me colocando de bandeja para
o mundo esportivo. A partir daquele momento, eu passei a dividir as manchetes de jornais com o Pelé”. Hoje, Lea vê evolução no futebol feminino, mas destaca que ainda tem muito a melhorar. “Falta que os empresários e as pessoas que lidam com futebol entendam que a mulher também é capaz de dar espetáculo em campo. Desde que criaram a Lei que obriga os clubes profissionais a terem equipe feminina, melhorou um pouco, mas ainda falta muito chão para caminhar. Infelizmente, ainda perdemos nossas melhores jogadoras para o exterior”. Sua história só foi possível porque ela não desviou seu foco em momento algum. “Desistir? Nunca! Quando coloco algo na minha cabeça, enfrento trancos e bar rancos, mas chego lá. Sempre fui teimosa, obstinada. Por isso, consegui chegar onde cheguei”

Fonte Uol

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